sábado, 12 de junho de 2010

AUSÊNCIA

TODA SEMANA EU ARRUMO A MALA
DEPOIS DELA PRONTA,PONHO NA SALA
ÀS VEZES ALICE AJUDA,
NA MAIORIA ATRAPALHA
QUANDO CHEGIO,ELA É DESFEITA ALEGREMENTE
ROUPAS SUJAS PELO CHÃO
LIVROS VOLTAM DO BATENTE
VOU PARA O CHUVEIRO MORNAMENTE
ROTINA DE MÃE UNEBIANA
QUE SAI E CHEGA TODA SEMANA
SOLTEIRA,CASADA,GRÁVIDA,LACTANTE,INSANA !!!
POIS DIAS DESSES AO VOLTAR PARA A CASA
QUERENDO DAR PRA MINHA AMADA ASA
CHAMANDO-A DE MEU SOL,MEU CÉU...
ELA NÃO SE CALA
E DIZ SEM MUITO PENSAR
_MAMÃE,QUELIA SER SÓ SUA MALA
PA IR COM VOCÊ PA TODOS OS LUGAR
ENTÃO,PUS-ME A CHORAR
EDUCO FILHOS DO MUNDO E A MINHA ANDA TÃO SOZINHA
E ME DIZ COM SUA VOZINHA
_CÊ VAI VIAJAR ??
_HOJE NÃO !
FELIZ O CORAÇÃO
_VAMOS DORMIR ABRAÇADINHA ??
E QUANDO MEU SOLUÇO VEM
ELA ME BEIJA,CHAMANDO DE MEU BEM
OUVE UME E OUTRA HISTORINHA
DAQUELA SEMPRE PRINCESINHA
QUE NUNCA TINHA MÃE...
Daí a poesia perde a rima.

LETRAS MACAÚBAS

Mais um trabalho q se findou,terminei a disciplina LITERATURA INFANTO JUVENIL BRASILEIRA , na cidade de Macaúbas, no curso de Letras.Adorei o trabalho, a turma ,a cidade,o motorista,TUDO !! Muito bacana ser tratada com o respeito q fui.Cidades assim,fazem com que queiramos voltar e indicar nossos colegas para irem orientar as monografias.Não posso esquecer de falar do SÃO JOÃO que tem atrações de estrelas,como Elba Ramalho ,por exemplo...
É isso ! Deixará saudades.Beijo ,turma !!!!

domingo, 30 de maio de 2010

AINDA NA FESTA...

FORMATURA DA 5ª TURMA DA UNEB BRUMADO


"UNEBIANOS" , ontem houve a colação de grau e a festa de formatura da 5ª Turma de Letras da UNEB -Campus XX.Os alunos do noturno nos receberam no Clube Social de Brumado.Muito gentis,educados e organizadíssimos nos ofereceram uma noite muito agradável ! Foram irretocáveis !!!!Só temos agradecer pela bela festa,pela excelente recepção e carinho de sempre.Boa sorte a todos!!!Sintam-se abraçados com carinho...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

OBRIGADA A KAUN E NAIARA

Naiara e Kauan,
obrigada por estarem em meu BLOG,podem palpitar nos textos à vontade...Kauan nem tão à vontade assim ( rsrs )...
abç

PROJETOS DO ESTADO : FACE-Festival Anual de Canção Estudantil e TAL-Tempo de Arte Literária

Gente,
hoje ( infelizmente eu não estava para prestigiar ) aconteceu o TAL ( na Câmara de vereadores de Caculé ),sobre arte literária e meu aluno LUIS (terceiro B),apresentou um lindo poema "Cata-me" ,sobre o projeto do lixo em Caculé,q inclusive foi premiado em Brasília,e Luizinho levou o terceiro lugar...Queria o primeiro, é claro!!Mas o garoto está de parabéns,ele é um "talento andante"...
Hoje fui logo ao blog do terceirão para ver o resultado e fiquei " felizinha".Valeu Luis !!!
E ontem foi a apresentação do FACE ,na concha acústica do CENF, e meu também aluno LUAN ( 3º A ) levou o merecido primeiro lugar.É isso Luan,sinto honrada em ter "palpitado" e vc "obedecido".Agora vamos para a próxima etapa.Torceremos junto e boa sorte de novo !!!!!
É isso aí ,meus alunos queridos: QUERO VÊ-LOS BRILHAR !!!!!!!!!

SOCIOLOGIA UNEB

Gente,
terminei hoje a disciplina Leitura e Produção Textual no curso de Sociologia da UNEB,foi muito bacana ter trabalhado com a turma,que tem um nível intelectual bem alto,fiquei satisfeitíssima com os resultados,cumprimos tudo q nos propusemos e mais : de última hora discutimos Canclini ( LEITORES,ESPECTADORES E INTERNAUTAS ),q inclusive reccomendo a todos.Um agradecimento especial a Heloísa : pelos seus "doces" bolos,beijus e carinho,e mais : por ter resolvido me seguir no meu projeto de pesquisa no Campus.Valeu queridos !!! Até qualquer hora.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

solidão urbana

A DILUIÇÃO DOS LAÇOS HUMANOS NA PÓS MODERNIDADE URBANA ,SUBMETIDA SOBRE A ÓTICA DA POESIA CONTEMPORÂNEA DE FERREIRA GULLAR.





1- INTRODUÇÃO


Este trabalho pretende realizar uma pesquisa na poesia contemporânea de Ferreira Gullar , pseudônimo de José Ribamar Ferreira,maranhense,nascido em 10 de setembro de 1930,ele reflete em sua poesia a necessidade moral de lutar contra as injustiças sociais e a opressão ,também propõe um novo conceito de vanguarda estética,seus versos são sensíveis a toda a problemática do homem moderno;Gullar é do ponto de vista de Vinícius de Moraes o último grande poeta brasileiro, e seu Poema sujo,escrito em Buenos Aires em 1975 no seu exílio,é “o mais importante poema escrito em qualquer língua nas últimas décadas”, a última voz significativa da poesia ,esse poeta encarna todas as experiências,vitórias,derrotas e esperanças da vida do homem brasileiro.Foi excelente teatrólogo,cronista,tradutor,ensaísta e poeta,este o que mais interessa para essa pesquisa,para a construção da identidade brasileira e para diluição dos laços humanos na pós modernidade urbana , em uma perspectiva sociológica e literária .No turbilhão da polis o homem aliena-se em conceitos e preconceitos, o poeta pode revelar sua verdade,prosaica e fascinante nas diversas linguagens intertextuais e muitas vezes marginadas,pois não encontra eco no outro,a literatura anuncia, denuncia ou nega as formas sociais da existência urbana e as suas formas materiais de expressão.Nesse contexto” todas as coisas de que falo são de carne como o verão e o salário /.Mortalmente inseridas no tempo,estão dispersas como o ar no mercado,nas oficinas,nas ruas,nos hotéis de viagem.”( GULLAR, 2004,p 174.).O escritor é capaz de traduzir,em forma literária, o urbano,a fragilidade das relações,um “amor líquido”,onde a voz pública não se separa, em momento algum ,de seu toque íntimo.
“Vagueio campos noturnos / muros soturnos / paredes da solidão / sufocam minha canção”.( GULLAR, 2004,p 05).É através desse feeling literário que o escritor ao falar da cidade ,da solidão advinda da vida urbana contemporânea,fala da solitude de cada um indivíduo citadino e da efemeridade dos seus relacionamentos. Pretendo, com isso, estabelecer as aproximações entre as visões literárias da cidade e as representações identitárias dos modos de ser nacional,da perda da identidade em uma sociedade de consumo ,da ganância,do abuso do poder,da crítica aos valores modernos,do mundo das cópias degradadas.Proponho um jogo de reflexões,de hipóteses da identidade brasileira que emergiram das produções contemporâneas ,das tensões entre a exatidão matemática e a abordagem dos acontecimentos humanos e das soluções particulares, cuja combinação nos permitiria aproximar de uma solução geral que não fique à margem ou em linguagens marginadas.Há que se construir um espaço de diálogo e ação intertextual,permeando vários olhares literários, que articulem a leitura,a literatura e a identidade do cidadão, que fragilizado e sozinho sente-se desamparado nessa torre de Babel contemporânea que lhe circunda,diluindo seus relacionamentos diversos.
2- QUESTÃO DE PESQUISA
O motivo propulsor desse trabalho foi , antes de tudo,aprofundar investigações sobre a literatura contemporânea na pólis e da solidão advinda da vida urbana, que se mantém ainda um pouco distante das preocupações dos centros de pesquisa e do ensino das literaturas nas universidades brasileiras.A escolha desse tema deu-se também pela necessidade de estudar a identidade de uma nação de leituras da cidade, como lugar de reflexão , como processo de reescrita,reinterpretações.É de extrema pertinência propor uma discussão sobre a diluição dos laços humanos na pós modernidade e as problemáticas conseqüentes desse fato.A poesia de Ferreira Gullar aponta um homem à margem,perdido,confuso como sinaliza um dos seus principais poemas :”Uma parte de mim é todo mundo:outra parte é ninguém:fundo sem fundo / Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão.” (GULLAR,2004.) O autor ainda coloca que uma parte dele é linguagem e questiona se a tradução das partes seria uma questão artística ; para obter uma compreensão mais profunda daquilo que possa envolver questões de leitura,literatura e identidade, dentro desse poema e outros da produção de Gullar o argumento é o seguinte :”as velhas identidades,que por tanto tempo estabilizaram o mundo social,estão em declínio,fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno,até aqui visto como um sujeito unificado.” ( HALL,2006,p 07 ).Há olhares divergentes sobre nossas raízes ,nossas leituras subjetivas,nossa condição de ser no mundo social,identidades “descentradas”,marginadas e literatura como escapismo,desabafo.Um evasionismo ,talvez, que remonte ao século XIX mesmo quando a cidade enlouquece ou quando o arlequim toma conta do imaginário desse indivíduo incaracterístico do mundo pós- moderno e só, que” caminha no chão de asfalto da cidade e tenta transformar em canto a matéria vulgar do cotidiano”.(GULLAR,1986,p 08 ) . A pesquisa e a análise da condição humana na pós modernidade e do distanciamento das pessoas é evidente na revolução que se inicia no crescimento acelerado da cidade,cujos habitantes passavam a se contar por milhões,o poeta reage a elas e tenta expressá-las refletindo a presença do fenômeno novo que era a multidão urbana,buscando a diferenciação,isolaram-se na extravagância ou no hermetismo no curso da poesia contemporânea.
3- OBJETIVO :
O objetivo principal desse trabalho é constituir uma pesquisa que permita analisar mecanismos de formação da identidade e a sua íntima relação com a escrita poética de Ferreira Gullar no seu livro Toda Poesia, identificando suas linguagens do ponto de vista do cidadão urbano e suas relações efêmeras,verificando como o texto configura-se como uma confluência entre leitura,literatura e identidades,cruzando assim os diversos tipos de registro,sem jamais perder o caráter lapidar,preciso e ordenado ,peculiares do escritor,também refletir sobre o contexto de formação de uma poesia de escape marginada, elaborar, em base às informações obtidas, diretrizes para a prática de leituras diversificadas e intertextuais e propor a discussão sobre o curso da poesia contemporânea no alívio dessa condição solitária do indivíduo.

4- METODOLOGIA :
O intuito é investigar a questão a partir da reinterpretação de poesias de Ferreira Gullar que abordem a diluição dos laços humanos na pós modernidade urbana, configuradas com releituras e análises que permeiam os diversos textos como : Estrutura da lírica Moderna (1978),O Imaginário da cidade.Visões literárias da cidade (1999),Poesia e realidade contemporânea ( 1989 ),Os filhos do Barro (1984), A amor Líquido ( 2004).As obras selecionadas perfazem os vastos campos das diversas linguagens,também pretendo coletar materiais sobre comportamentos humanos e músicas contemporâneas que enfatizem o tema. Desejando descobrir pistas para a construção de perguntas e respostas que possam me fazer compreender melhor as minhas indagações, é necessário pesquisar a princípio a identidade do indivíduo urbano,analisar o enfoque que é atribuído à concepção de leitura e literatura que atrai milhares de pessoas para a organização de grupos que compartilhem de uma mesma ideologia.
Qualquer juízo de valor atribuído ao fazer poético que será analisado, não significa que seja algo imutável e definido, pois, vale ressaltar, será a minha leitura com a de um grupo, pois enquanto sujeito social não tenho todo o conhecimento disponível, as análises variarão das circunstâncias e das convenções que organizam e delimitam as instituições.
Assim centrarei as observações nos seguintes aspectos e metas:
-“Ultrapassar a incerteza”, checando percepções antes de qualquer generalização;
-Recorrer sempre a maiores subsídios teóricos que ampliam os ângulos do “olhar”;
-Produzir correspondências entre estruturas intertextuais como ferramenta necessária à compreensão das experiências dos sujeitos sociais;
Por meio desse trabalho pretendo contribuir para reflexões e desvendamentos sobre a construção da Leitura , Literatura e Identidade .

5- REFERENCIAL TEÓRICO:
Ferreira Gullar em Indagações de Hoje discorre sobre Poesia e Realidade Contemporânea,lutando, intrigando ,vingando-se.O crescimento da civilização,o acelerado progresso tecnológico e científico determinarão a obsolescência ,empurrando o homem moderno a buscar nas condicionantes objetivas da vida social ou nas profundezas do inconsciente as causas de seu comportamento e seu livro de poemas Toda Poesia,que pretende que esta “ tenha virtude em meio ao sofrimento e o desamparo,acender uma luz qualquer,uma luz que não nos é dada,que não desce dos céus,mas que nasce das mãos e do espírito dos homens.”
Sandra Jutahy Pesavento em O imaginário das cidades.Visões literárias do urbano ,narra o nascimento da cidade como fruto da violação do sagrado,assim o Gênesis narra a edificação da primeira cidade pelo fratricida Caim, sendo que pela ambição do homem e pelo seu sonho de chegar ao céu edifica a torre da confusão das línguas, castigo de Deus à ambição desenfreada dos homens. Indago se a solidão da pólis não faz parte desse castigo que condena os homens a não se entenderem e se aprisionarem na solidão construída pela sua ganância.O fato de ser possível estabelecer uma articulação entre práticas e representações do urbano entre locais variados e espaços distintos da pós-modernidade, é interessante material de pesquisa para esse trabalho.
Renato Cordeiro Gomes em Todas as cidades,a cidade :literatura e experiência urbana busca criar semelhanças com o objeto representado que o leitor identifica como modo de perceber a aceleração problemática da cidade, resultando na explosão da humanidade em frações hostis,nessa mesma perspectiva de diluição dos relacionamentos e solidão nos tempos modernos vê-se em Zygmunt Bauman em Amor Líquido –sobre a fragilidade dos laços humanos, de que forma o homem sem vínculos-figura central dos tempos modernos –se conecta nessa líquida sociedade moderna. Não encerro aqui as fontes que pretendo utilizar, pois o estudo é como uma teia, um emaranhado de idéias que vão se concatenando para reflexões maiores.

domingo, 16 de maio de 2010


FIOS DE OURO

CABELO EM PENUGEM DOURADA
OLHAR TACITURNO DE MADRUGADA
ANJINHO DO MEU CÉU
PASSINHOS AO LÉU...
ANJINHO A GRACEJAR
EM BUSCA DO MEU OLHAR
COMO SER TÃO PARTE DE MIM ?
COMO PODE SER DANADINHA E SERAFIM ?
A MENINA MAIS BELA
DA VIDA DA MINHA JANELA
FAÇO-LHE UM LIVRO DE POESIA
PARA LÊ-LO UM DIA
MENINA MAIS ENGRAÇADINHA
DO MEU VIVER
FAÇO CÓCEGAS EM SUAS DOBRINHAS
PARA VER SUA EUFORIA,SEUS DENTES DE ALEGRIA
MINHA FLOR,MEU NENÉM,MEU AMOR
GORDUCHINHA SEM DOCE
ENGRAÇADINHA QUE DEUS ME TROUXE
LUZ,SOL,ALEGRIA...
PUS NO ARREBOL A FANTASIA DE LHE TER
A VERDADE MAIOR É VOCÊ !!!!!
NOVE MESES

FAZ NOVE MESES QUE EU TENHO VOCÊ
NOVE MESES PLANTINHA A FLORIR
MINHA HORTA,MEU MORANGUINHO
MEU DIA,MEU SOLZINHO
NOVE MESES CUIDANDO DE VOCÊ
ME AUSENTANDO A ME DOER
VOCÊ É O VERSO DA MIN HA POESIA
O RISO DA MINHA ALEGRIA
A HISTÓRIA DA MINHA LITERATURA
A BELEZA MAIS PURA
QUE EU JÁ DESENHEI
O MAIS BELO DESENHO QUE JÁ PINTEI
E A PINTURA MAIS ÍNTIMA QUE INSTRUMENTEI
NOVE MESES DE TRANSFORMAÇÃO E ABDICAÇÃO
APRENDENDO AMAR,CUIDAR
SEM QUERER NADA MAIS
QUE UM RISO SEU
SUAS PALMINHAS,GRITINHOS A ME ESPERAR
NOVE MESES E EU NÃO SOU MAIS EU
NÃO EXISTO MAIS SOZINHA
SEU CORDÃO UMBILICAL NÃO FOI CORTADO DE MIM
MEU CONTO DE FADAS

PENSO EM CINDERELA,
VOCÊ É MUITO MAIS BELA
OLHO A FIGURA DE RAPUNZEL
VOCÊ ESTA MAIS PERTO DO MEU CÉU
MOSTRO-LHE CHAPEUZINHO
E ACHO MAIS LINDO SEU ROSTINHO
E A BELA ADORMECIDA ?
QUE NADA! VOCÊ QUEM ACORDOU MINHA VIDA
OUÇO CIRANDA DA BAILARINA
AINDA ACHO MAIS PERFEITA A MINHA MENINA
LI BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
IMAGINO UMA REDOMA PARA SUAS ILUSÕES
SE ANDERSEN NARRA A MELANCOLIA
QUERO LHE VER FORA DESSA FANTASIA
E AS HISTÓRIAS DOS IRMÃOS GRIMM
NÃO SÃO TÃO PERFEITAS ASSIM
QUERO QUE TODOS OS ESPELHOS FALANTES
MOSTRE-LHE BELEZA EM TODOS INSTANTES
E QUE NUNCA SE ACHE PATINHO FEIO
POIS O QUE MAIS IMPORTA NESSE MEIO
NÃO É O MENOR PÉ
NEM A CINTURA MAIS FINA QUE TIVER
SE É LOIRO O CABELO
OU A MELHOR FORMA DE PRENDÊ-LO
SERÁ PARA SEMPRE A MINHA PRINCESA
E TODA REAL BELEZA
RESIDE EM VOCÊ,MINHA MARAVILHA
ALICE,MINHA AMADA FILHA !
SEU RISO PARTE-SE EM MIL PEDAÇOS
NASCEM FADAS EM VÁRIOS ESPAÇOS
NÃO DEIXE NUNCA DE CRER NELAS
E ABRA TODAS AS JANELAS
PARA QUE A SORTE E ELAS
POSSAM SEMPRE ENTRAR...
ENSINANDO A REZAR

Junto sua mão pequenina
Para pedir ao Santo anjo do Senhor
Que guarde e olhe sempre minha menina
Que zele, quando não posso estar por perto
Com sua proteção divina
Que lhe mostre o que é certo
e na escuridão lhe ilumina
Agradeço a Deus com você
Para que não se lembre só de pedir
Pois temos tanto a agradecer
E muito mais motivos para sorrir
Quando já for uma mulher
E estiver se doendo sozinha
Saiba que Jesus está ao seu lado quando quiser
É só orar para ouvir sua vozinha
Ele será sua luz e proteção
Peça com toda força do seu coração
E ele lhe atenderá
Não duvide da sua presença e você verá
È para isso,querida, que lhe ensino a rezar.
TEMPO DE MORANGOS

Era tempo de morangos...
E era prevista para agosto
Mas julho teve mais seu rosto
E você nasceu sem nenhum desgosto
Era tempo de morangos...
Um dia dominical
Sem nada de mal,claro como cristal
Fomos para Conquista na maior conquista
Do meu ponto de vista
Era tempo de morangos...
E nasceu meu moranguinho
Tão perfeita com afeto e com carinho
A luz do sol do meu caminho
Era tempo de morangos
Seu pai se fez poeta e escreveu
Que tudo floresceu
O breu amanheceu
Meu mundo é todo seu
Era tempo de morangos
E você sorriu pra mim
Os nãos viraram sim
Da relva fez-se jardim
Era tempo de morangos...
Era tempo de nascer
Era tempo de você !!
Negras memórias
Sou ainda a mestiça e mulata
Que Gregório de Matos joga na lata
Chamando de insensatos quem me estima
De asnal quem se lastima
Por minha condição ingrata
Sou a negra dos navios negreiros
que ainda suspende as tetas
Para alimentar crianças pretas
Que ainda regam o sangue
Como as severinas do mangue

Sou Bertoleza e Nastácia para trabalhar
A mercê do seu poder
Rita Baiana pra fornicar
Com o feitiço mestiço
dentro do cortiço
E Isaura para casar
Branca e bela e virgem,
Só com a negra vertigem
Sou a moça nua espantada
A mulher sofridamente desgraçada
Com seus filhos bastardos
“E algemas nos braços”
Na alma o gosto do fel
de Aluisio Azevedo sou Domingas
Que teve as genitálias queimadas
As dores às mìnguas
Das Quitérias enciumadas...
Sou essa negra Fulô
Explorada,humilhada,cheia de dor
que rouba seu Senhor
Que se mostra nuinha
Mais bonita que a sinhazinha
Sou Clara dos Anjos sem proteção
Deflorada,abandonada,sangrando o coração
Sou do século XXI a ilusão ficcional
De que protagonizo na cena nacional
Sou globeleza no carnaval,
Tenho dotes pra turista ver,
Gingado pra samba vender
Prostituta a se envaidecer
Sou a profissional independente
Que apanha do marido e mente
Pra ninguém descobrir
Sou negra linda
Repórter,jornalista
Professora da universidade da Bahia
Que estuda Sociologia
se respeita, se ama e sorrir ao amanhecer o dia
“sou abolição no coração do poeta”
Não aliso o cabelo,enfeito como um esteta
E grito contra a violência de todos esses anos,
Dos ledos enganos
Sou branca,negra,mulher
Sofremos todas oprimidas pela sociedade
Que já não o é
Mas é infâmia demais!
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Fêmeas! Arranquem esse pendão dos ares!
Liberdade e respeito abra a porta dos teus mares!
ALICE

FIZ VOCÊ DESDE CRIANÇA,
ENSAIEI VOCÊ MINHA VIDA INTEIRA,
FIZ SEU ROSTO DE ESPERANÇA,
GUARDEI-LHE MINHA EMOÇÃO MAIS VERDADEIRA
GUARDEI-LHE MEUS LIVROS E HISTÓRIAS
GUARDEI-LHE MEUS DISCOS E MEMÓRIAS
DAS HISTÓRIAS QUE HEI DE CONTAR PARA LHE VER DORMIR
PARA LHE VER RECONTAR, OU COM O PASSAR DO TEMPO GUARDAR
FAÇO-LHE MEUS SEIOS FARTOS,MEU CORPO SE ALARGAR
FAÇO-LHE CASA, PONHO OUTRAS JANELAS
QUARTO COM BORBOLETAS
NA METAMORFOSE QUE LHE CRIEI PARA LHE VER VOAR...
FIZ –LHE UM CASTELO,O QUE PUDE MAIS BELO...
IMAGINO SEU FUTURO, SUAS LETRAS, SUAS LEITURAS,
MEU SORRISO EM SEU SORRISO E UM JEITO SÓ SEU
DOS POEMAS DA MINHA VIDA, BEM LONGE DO BREU...
ORO A DEUS POR SUA VIDA
E LHE CONSAGRO A NOSSA SENHORA APARECIDA
FIZ VOCÊ QUASE POR UM TRIZ
FIZ VOCÊ PARA SER FELIZ !!!
VIDA

DOIS CORAÇÕES DENTRO DE MIM
OUÇO O TEU E O MEU EM UM COMPASSO DE QUERUBIM
PENSO -TE – AÇUCENA E JASMIM
ÉS ALICE ,MINHA MENINA !
ÉS ALICE, TÃO PEQUENINA !
ERAS MEU SONHO MAIOR,
MEU SACRIFÍCIO SEM DÓ
ERAS MINHA MAIOR ESPERANÇA
TODA A MINHA BONANÇA...
ÉS TÃO FRÁGIL, ÉS CRISTAL
ÉS TUDO DE ESSENCIAL
ÉS UM PEDAÇO DE MIM!
CRESÇO COM TUA VIDA
NÃO ME SINTO MAIS SÓ
NÃO SOU MAIS UMA ILHA,
NÃO SOU ÍMPAR ! TENHO FILHA
FIZ-LHE ,ALICE,COM TODO AMOR DA MINHA VIDA
FIZ-LHE ,ALICE, EM UM PAÍS SÓ MEU
DE MARAVILHAS UNÍVOCAS
QUE SÓ EU SEI...